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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

BENZIMENTO PARA TODOS SO FINS


Benzimento de doenças físicas feito com palha da costa

Material
Palha da costa
Cruz

Procedimento
Depois de já ter feito uma triagem com o atendido, envolva a região afetada do corpo com um pedaço do fio de palha da costa dando 7 nós
Pegue a cruz e cruzando esta local, faça a seguinte oração:

Em nome de Deus, da divina trindade, Pai, Filho e espírito santo e em nome de São Lázaro eu rogo que todo o mal que estiver instalado no ( falar o nome do local afetado na pessoa) de ( falar o nome da pessoa) seja cruzado e transmutado e que na força de São Lázaro, Deus Pai, Deus Filho e Espírito Santo, seja curado, Amém
Em seguida rezar 7 Pai Nosso e 7 Ave Maria

A fita de palha da costa deverá ficar no local amarrada com os 7 nós por 7 dias consecutivos
A oração deverá ser repetida durante estes 7 dias com o benzimento feito com a cruz no local
No sétimo dia após benzer pegar uma tesoura benta e cortar esta palha da costa devendo a mesma ser enterrada em um jardim

Bom atendimento a todos

Benzimentos e Rezas
É bom esclarecer que os benzimentos aqui relacionados eram usados numa época em que não existiam muitos médicos na região. As pessoas moravam em sítios ou em locais muito distantes dos centros onde existiam farmácias e hospitais e desenvolviam a fé no uso de determinadas rezas e simpatias que podiam ou não funcionar.
De qualquer forma, eles hoje figuram aqui como amostra da riqueza cultural da região e pelo seu valor histórico, não como fórmulas para serem utilizadas em substituição aos tratamentos médicos ou psicológicos feitos por especialistas que se empenharam durante anos de estudo com o objetivo de salvar vidas.

CURA COM BARATA: (Publicado na Imprensa Oficial - 03/04/2008)
Esta quem nos ensinou foi o senhor Wilson Grecco, figura sempre presente nas manifestações artísticas da cidade. Segundo consta, sua nona, Dona Libera, tinha uma maneira muito peculiar de fazer sarar a dor de ouvido: pegava uma barata viva, colocava numa colher grande e enchia de óleo, levando ao fogo para "fritar" o bichinho. Quando a barata fritava, tirava-se o inseto do meio do óleo e esperava o líquido ficar morno, daí pingava-se uma ou duas gotas no ouvido, fazendo cruzes e orando.
ESTRANHA PROTEÇÃO: (Publicado na Imprensa Oficial - 23/02/2008)
Há muito tempo atrás, em Itatiba, as pessoas tentavam fazer o melhor possível para se proteger contra doenças, porque os médicos eram poucos e a maioria das pessoas vivia nos sítios. As mães faziam chás para as crianças que estavam gripadas ou com cólicas. Hoje se sabe que muitas ervas usadas para estes chás têm realmente princípios que podem ajudar na restauração da saúde. Também existiam muitas simpatias para susto e para desejos. Às vezes, uma criança queria um brinquedo ou tinha vontade de comer alguma coisa e ficava desassossegada. Aí era preciso levar numa benzedeira que orasse e restabelecesse a paz de espírito da paciente. Mas havia um costume muito estranho que algumas pessoas adotaram para proteger a garotada, e também os adultos, do tétano: enfiar um prego dentro de uma cebola. As mães costumavam fazer isso principalmente quando os filhos iam jogar bola em campos improvisados, com jogadores descalços, o que aumentava o risco de alguém se ferir em pedaços farpados de madeira, vidro, etc, e contrair a doença.
SANTA LUZIA: (Publicado na Imprensa Oficial - 14/02/2008)
Esta simpatia é bem usada quando da ocorrência de algum corpo estranho nos olhos. Lembrando sempre que oração sempre ajuda, mas nunca deixe de procurar um médico quando houver dor e sintomas que indiquem alguma gravidade ou anormalidade: "Fazer o sinal da cruz sobre os olhos - Santa Luzia passou por aqui com seu cavalinho comendo capim! - Continuar até passar a dor ou até o cisco sair."
NOSSA SENHORA DA DEFESA:
A Irani Adriana Teixeira de Assis enviou para nós esta oração, que ela utiliza faz tempo e que pouca gente conhece, a de Nossa Senhora da Defesa. É para se levar na carteira ou para se ter em casa. Segundo consta do site do santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, no Alto do Sumaré, São Paulo, a devoção a essa manifestação de Maria começou na Itália.
A cidade de Cortina D´Ampezzo fica em Belluno, nordeste da Itália, tem uma localização estratégica e sempre foi alvo de invasões bárbaras e conflitos políticos.
No ano de 572, os lombardos tentaram invadir seus vizinhos ampezzanos. O povo atacado se reuniu e rezou fervorosamente, pedindo ajuda de Nossa Senhora, e em seguida prepararam-se para defender sua cidade. Ao perceberem que a invasão era inevitável, invocaram o nome da Virgem Maria e ela apareceu sobre as nuvens, com uma espada na mão. Quando os inimigos tentaram entrar na cidade, ela os confundiu com as nuvens, que lhes impediu a visão. Dessa forma, o exército invasor lutou entre si até a derrota.
No século XIV, na cidade, já existia uma capela dedicada a ela. Em 1412 ocorreu outro incidente: o exército dos bárbaros godos ameaçava dominar o território. O povo de Ampezzo, quase desarmado, conseguiu parar as tropas inimigas e a vitória foi interpretada como um novo sinal de Nossa Senhora da Defesa. No início do século XXI, uma catequista trouxe da Itália um quadro com a imagem da Santa para São Paulo e em setembro de 2003 os devotos paulistanos dedicaram a ela uma igreja. Os fiéis costumam recorrer à santa pedindo proteção contra a violência existente nas grandes cidades. Comemora-se o dia de Nossa Senhora da Defesa em 18 de Setembro.
Oração: "Nossa Senhora da Defesa, Virgem poderosa, recorro à Vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois vós sois o terror das forças malignas. Eu seguro no vosso manto santo e me refugio debaixo dele para estar guardado, seguro, e protegido de todo o mal. Mãe Santíssima, refúgio dos pecadores, vós recebestes de Deus o poder de esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada, afugentar os demônios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado sob o peso dos meus pecados, venho pedir a vossa proteção, hoje, e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, eu possa, depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Amém. Rezar em seguida um pai-nosso, uma ave-maria, e dar glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo."
PARA NÃO ENTRAR EM CHOQUE COM A NATUREZA:
O Paulo Degani, responsável pelo Museu Histórico Municipal "Padre Francisco de Paula Lima", nos contou sobre dois costumes interessantes, especialmente úteis para quem gosta de caminhar por locais cheios de mato, no meio de florestas, bosques, trilhas.
Conta-se que, para não pegar carrapato quando se entra na mata, é preciso quebrar um galhinho da primeira árvore que se encontrar e guardar no bolso.
Outra simpatia: existe uma árvore chamada Aroeira, fácil de encontrar nos sítios aqui da cidade. Algumas pessoas já tiveram experiências ruins com a dita cuja: foi passar por baixo da árvore e começar a espirrar, ou sentir a pele ficar vermelha e coberta de calombos! Dizem que, para evitar a "raiva" da aroeira e de outras formas de vida, é bom pedir licença para "Dona Aroeira" antes de entrar na mata, mesmo que não haja nenhuma aroeira por perto. É só chegar, dizer em alto e bom som: "Dá licença para eu entrar, Dona Aroeira!", e caminhar sossegado.
Mas, por via das dúvidas, antes de entrar na mata, é bom colocar botas ou calçados de cano longo para evitar picadas de insetos, um bom repelente e, caso você já tenha tendências alérgicas, é bom ficar longe das aroeiras, mesmo não tendo certeza se elas estão bravas ou apenas chateadas...
SEM SILICONE E SEM CASAMENTO:
Pessoas que vieram de Arealva (interior paulista) para morar em Itatiba contam que naquela cidade existia uma simpatia que as meninas que acabavam de entrar na adolescência costumavam fazer: tomar água na concha para que os seios crescessem. Em Arealva também existia uma crendice de que se alguém passasse com a vassoura sobre os pés de uma pessoa, aquela que teve os pés "varridos" não se casaria mais. Essa superstição era conhecida também em Itatiba e até hoje algumas pessoas desviam do caminho quando avistam alguém fazendo faxina, de medo de ter os pés varridos.
SIMPATIA DE ANO NOVO PARA PROSPERIDADE:
Cada família tem uma simpatia especial para assegurar que o Ano Novo seja realmente bom. Algumas pessoas colocam a maior nota de dinheiro que possuem dentro do sapato, durante a festa de Reveillon, para que a cédula chame suas companheiras de igual valor durante o ano que começa.
Existe uma simpatia interessante que veio de São Lourenço, Sul de Minas, para cá: a troca de folha de louro. À meia noite do dia 31 de dezembro, coloca-se num pratinho ou outro recipiente, algumas folhas secas de louro, dessas utilizadas para tempero. O louro representa vitória, glória. Quando bate meia-noite, pega-se uma folhinha e troca-se com a de outra pessoa. A folha que foi trocada é guardada na carteira, junto com o dinheiro, para assegurar segurança financeira. No final do ano, a folhinha usada é trocada pela de outra pessoa novamente. Se estiver muito gasta, joga-se fora e toma-se uma nova folhinha para troca.
Limpeza da Casa Depois do Velório: Ainda hoje nós verificamos o costume de algumas famílias de velar o morto na residência. Diz a tradição que, após a retirada do caixão e a saída do cortejo rumo ao cemitério, deve-se varrer a casa toda, em direção à porta da frente da casa, varrendo tudo para a rua, ou seja, mandando embora todo resquício da Dona Morte... (Contribuição da Sra. Ivone Igarashi, da AEPTI)
Simpatia perigosa para violeiro: A senhora Inês Simões Barbosa, presidente da AEPTI, contou que o povo acreditava na eficácia do guizo de cascavel para melhorar o som do violão. Antigamente, o pessoal topava com muitas cobras nos pastos... até cascavel! Gente com mais sorte não encontrava a cobra, mas o guizo dela. Se a pessoa tocava violão, colocava o guizo dentro do instrumento, que passava a ter um som mais suave e melódico.
Simpatia perigosa para passar de ano: As crianças que viviam pelos pastos e pelos quintais cheios de árvores da Itatiba antiga, quando encontravam a casca de uma cobra, ficavam felizes! É que se acreditava que a pele que as cobras trocam no decorrer de suas vidas dá sorte para os estudantes: eles colocavam aquela pele, que mais parece plástico, dentro do caderno, bem na parte onde estava a matéria mais difícil, que eles não conseguiam aprender. De acordo com a crença, o aluno passava de ano. (contribuição da Sra. Maria Inês Simões Barbosa).
Benzimento para "Ramo de Ar": Os antigos falavam muito nesse tal "Ramo de Ar", que era um reflexo de sol ou de luz que pegava em cheio no rosto de alguém, causando uma sensação de mal estar que, geralmente, terminava numa enxaqueca que poderia durar dias.
Ainda hoje se usa o termo, principalmente quando algum raiozinho de sol bate em espelhos retrovisores ou vidros traseiros e faz alguma vítima - que fica vendo bolinhas coloridas desfilando diante dos olhos durante horas.
Mas o povo tem remédio para tudo e bom benzedor sabe tirar "ramo de ar". O benzimento pode ser de várias formas, mas sempre envolve água, arruda e muita fé. Um dos mais simples e que o próprio "doente" pode fazer é o seguinte: pega-se um copo de água, cobre-se a boca do copo com uma toalhinha limpa e, com um pouquinho de jeito, abaixa-se a cabeça até que a testa possa tocar na toalhinha bem esticada que cobre a boca do copo.
Quando a boca do copo estiver bem junto à testa, ergue-se a cabeça, não deixando escorrer a água. O "doente" tem que ficar sentado em algum lugar de frente para o sol, de olhos fechados. O copo fica equilibrado sobre a testa e a água apenas umedece a toalhinha e a pele. A pessoa deve rezar para que o "ramo de ar" se vá, pedindo a Deus, Jesus, aos santos anjos da guarda, ou ao santo de sua devoção, que leve o mal embora.
Geralmente é nesse momento que a água dentro do copo começa a movimentar-se, como se fervesse. Segundo os benzedores, é porque o "ramo de ar" está indo embora. Quem quiser, pode até colocar folhas ou um galhinho de arruda dentro de um copo, desde que não se sinta mal com o cheiro exalado pela planta. (Contribuição da família Fattori)
Benzer Susto: Antigamente, as mães e avós tinham um instrumento poderoso não só para cuidar da nutrição da família, mas também para proteger seus entes queridos contra o mal: o fogão de lenha. Quando uma criança levava um susto ou não conseguia dormir à noite, era levada para junto do fogão e devidamente benzida com brasa. A fórmula podia variar, mas geralmente era esta: falava-se o nome da criança assustada e, em seguida, dizia-se "eu vou te benzer", com bastante confiança. Pegava-se uma brasa do fogão, com o auxílio de algum instrumento para não queimar as mãos, e jogava-se a brasa dentro de um copo com água. Se a brasa subisse era porque a criança não estava assustada e a manha dela era de birra mesmo.
Se a brasa descesse, a criança precisava de ajuda. Aí era preciso colocar um pouco da água do copo com brasa em um outro copo com água, que seria dada para a criança beber. O que sobrou da água com a brasa devia ser usada para borrifar três cantos do cômodo (geralmente a cozinha). Não se borrifa o canto por onde se sai. O restinho, junto com a brasa, seria jogado no fogo do fogão de lenha. (Contribuição da família Polessi)
Benzimento contra a Dor de Barriga: Esta fórmula era usada principalmente com crianças. A benzedeira fazia o seguinte: Colocava uma das mãos na altura da boca do estômago do doente dizendo "São Martim deitado". Colocava então a mão na cintura do doente continuando a recitar: "Sur la somente, benza teu male". E, finalmente, a benzedeira dizia: "Cura esse ventre", descendo a mão ao ventre do doente. (Contribuição da família Polessi - Bairro da Ponte).
Benzimento contra a Dor de Cabeça: A benzedeira e a pessoa com dor-de-cabeça deveriam rezar um pai-nosso e uma ave-maria, em seguida, a benzedeira colocava três galhinhos de arruda dentro de um copo de água, que era colocado no topo da cabeça do doente. A benzedeira então dizia: "Com que eu tiro o sol? Com água da fonte, ramo verde do monte." E retirava os galhinho de arruda de dentro do copo, batendo levemente com elas na testa e na cabeça da pessoa. (Contribuição da família Polessi - Bairro da Ponte)
Para curar susto de criança - Esta é outra versão do benzimento com brasas. Contribuição da senhora Maria Inês Simões Barbosa, da Associação dos Escritores, Pintores, Poetas e Trovadores de Itatiba. Quando uma criança estava assustada, pegava-se uma caneca de ágata. Podia até ser de outro material, mas as benzedeiras preferiam as de ágata. Colocava-se água (temperatura ambiente) dentro dela e jogava-se 3 brasas na água. Logo em seguida colocava-se um prato sobre a boca da caneca e era preciso virá-la de uma vez, como quando queremos desenformar um bolo. A caneca ficava de cabeça para baixo dentro do prato. E a água da caneca não podia ser derramada. Então, para finalizar a simpatia, era preciso fazer uma pequena cruz com palha. A cruz era colocada sobre o fundo da caneca e todo o material era deixado no mesmo lugar por 7 dias. Quando o período terminava, jogava-se a água fora (podia ser no quintal), com brasas encharcadas e tudo.
Para as mães de recém-nascidos não pegarem friagem - Novamente lembramosque todas essas receitas caseiras eram adotadas numa época em que era difícil conseguir um médico. Estamos publicando esses relatos pelo seu valor como folclore, não para que ele seja utilizado para fins medicinais, o que pode acarretar até problemas ainda mais sérios, porque não estamos publicando aqui as dosagens que eram utilizadas, nem temos provas de que realmente funcionavam. E também não sabemos se ocorriam efeitos colaterais.
Segundo a tradição, mulheres que haviam dado à luz deviam manter uma dieta por mais ou menos 40 dias. Os antigos temiam que as mulheres "pegassem friagem" durante o período e ficassem doentes. Na época, muitas casas não tinham forro e o piso era de terra batida. Havia umidade dentro das casas de fazenda e o perigo era real. Para prevenir alguma doença causada pela umidade e pelo frio, as mulheres queimavam arruda com açúcar numa caneca de alumínio. Daí jogavam pinga sobre o xarope que se formava e em seguida tomavam a beberagem ainda quente. Isso se repetia pelos 40 dias.
(Contribuição da Sra. Ivone Igarashi, membro da diretoria da Associação dos Poetas, Pintores e Trovadores de Itatiba).
Simpatia para fazer a criança andar: Dona Josefina Maria de Jesus Almeida, Dona Zefina, morava no bairro do Corintinha e era procurada por muitas mães que levavam seus bebês para que ela aplicasse uma simpatia que, segundo se dizia, ajudava a criancinha a perder o medo de andar. Funcionava da seguinte forma: Dona Zefina pegava a criança nos braços e suspendia o bebê sobre um pilão, um pilão grande e simples, dos que se usava para socar café e grãos. Com cuidado, ela baixava e erguia a criança sobre o pilão três vezes, como se a criança fosse o socador, mas com movimentos mais lentos. A simpatia era repetida por três sextas-feiras. Depois do benzimento, dona Zefina colocava a criança no chão e vinha caminhando atrás dela, passando a vassoura pelo piso com o intuito de "cortar" as influências negativas, dizendo: "-O que eu corto?" e a mãe da criança deveria responder: "- O medo". Isso era feito mais três vezes. Dona Zefina era conhecida também como "Vozica" pelos familiares. Muita gente do bairro certamente se lembra dela. Atualmente, o pilão se encontra na casa de parentes de Dona Zefina, no Harmonia. A história é contribuição das famílias Crivelari e Almeida.
Reza contra os problemas dos olhos: Esta oração é dirigida à Santa Luzia (ou Santa Lúcia). A jovem viveu por volta do século III d.C. e, segundo a lenda, era filha de uma família italiana abastada, que lhe deu uma sólida formação cristã. Era tanta a sua vocação a Deus que queria dedicar sua vida a Ele. No entanto, o pai da jovem faleceu e a mãe queria vê-la casada com um rapaz de outra família também influente, mas pagã. Há versões diferentes para a história. Algumas contam que quando descobriu que a moça seguia a doutrina de Cristo, o rapaz que era apaixonado por ela a denunciou. Ela foi presa e martirizada. Seus olhos foram arrancados pelos algozes. Outras versões contam que Luzia, apesar de se negar a casar com o pretendente, continuava sendo perseguida pelo rapaz. Numa ocasião, o moço teria dito que o olhar de Luzia o havia enfeitiçado. A própria Luzia teria, então, arrancado os olhos e enviado para o rapaz, mandando dizer que preferia viver cega a quebrar os votos feitos a Deus e que, se eram os olhos que o haviam feito perder, que ficasse com eles.
A oração de Santa Luzia deve ser rezada pelo próprio doente, fazendo o sinal da cruz sobre os olhos, com o polegar da mão direita. Depois de feita a oração, reza-se um Pai-Nosso e uma Ave-Maria:
Vem Santa Luzia,
de noite e de dia,
trazer-me esta luz
dos braços da cruz.
(Fazer o sinal da cruz 3 vezes sobre os olhos)
Se é nuvem de sangue
e de água formada
Pelo Cristo exangue
Será derramada.
(Fazer o sinal da cruz 3 vezes sobre os olhos)
Por Santa Luzia,
Vais ver que esta luz
No céu se produz
(Fazer o sinal da cruz 3 vezes sobre os olhos)


BENZIMENTOS Varias doenças

Se as simpatias podem ser executadas por qualquer pessoa que delas tenha necessidade, a realização dum benzimento exige a presença ou a intervenção de uma pessoa conhecedora da matéria.

Há benzedores para todos os males e doenças. Alguns se especializam só em doenças de animais ou plantas e há os que se dedicam só à cura de um único tipo de mal. Assim, na zona rural e mesmo em alguns bairros citadinos encontramos os que curam torceduras e eczemas; dor-de-barriga e quebranto de criança; só reumatismo; broca e empazinamento de cavalo; vacas cocoteiras e lambevu de cachorro, etc., etc.


Agradecemos, aos benzedores e macumbeiros que com o risco de perder suas "forças", nos ensinaram alguns benzimentos.
Benzimento da bicheira:
"Te benzo bicheira, com o nome de Deus e de Nossa Senhora. Assim como o serviço de domingo ou de dia santo não vai pra frente, esta bicheira pra frente não há de ir." – Fazer uma cruz, rezando três padres-nossos e três ave-marias. – Chama-se o animal pelo nome e diz-se no seu ouvido: "Dizem que você está com sete bichos, é mentira, você só tem seis, é mentira, você só tem cinco", etc. até dizer que não há bicho algum.
Benzimento de lombriga:
"Santos Reis tinha dozes filhos, de doze morreu um ficaram onze, de onze morreu um ficaram dez, de dez morreu um ficaram nove, de nove morreu um ficaram oito, de oito morreu um ficaram sete, de sete morreu um ficaram seis, de seis morreu um ficaram cinco, de cinco morreu um ficaram quatro, de quatro morreu um e ficaram três, de três morreu um ficaram dois, de dois morreu um ficaram um e esse um se arrebentou graças a Deus". Rezar três padre-nossos e três ave-marias.
Benzimento de íngua:
O benzedor manda que se coloque a mão do braço que está doente sobre um monte de cinza e, simulando dar golpes com uma faca, pergunta ao paciente: - "O que é que eu corto?" – "Íngua", deve responder o doente. "É isso mesmo que eu corto", retruca o curandeiro, e corta pelo meio o monte de cinza sobre o qual ficou a marca da mão. Reza um padre-nosso, um credo e repete o tratamento três dias seguidos.
Benzimento para endemoniados:
O curandeiro deve ir escondido detrás do doente e, sem que este perceba, rezar mentalmente: "São Marco que te marque, São Brando que te abrande e São Amâncio que te amanse". Faz o sinal da cruz três vezes sobre as costas do doente e termina a oração: "Jesus Cristo que te amarre e abençoe."
Benzimento de cobreiro:
Munido de três raminhos de arruda e um pouco de toicinho sem sal, o curandeiro benze o cobreiro, dizendo: - "Ele arando e lavrando esta. A meu par o levei no monte de Gomel com raminhos de sarmiento e unto sem sal. E que te seques, que te seques, que te seques e que não voltes mais".
Benzimento da impigem:
O benzedor, pela manhã, em jejum, procura o doente. Passa-lhe saliva e cinza sobre a impigem, desenhando cruzes e diz:

"Empige rabiche
a Senhora Santana
te manda secar
com cuspe da boca
e cinza do lar".

Repete-se o benzimento três manhãs seguidas.
Benzimento de semioto (doença de macaco):
O benzedor, por três madrugadas, faz que levem a criança doente para um gramado orvalhado. Deita a criança no chão e com uma faca recorta a sua figura ou forma na terra. Em seguida, retirando a criança, com uma enxada revira no próprio lugar a terra recortada, dizendo: "Que a doença fique do lado de lá, que Deus e a saúde conosco fica do lado de cá". Repete essas palavras três vezes e reza um credo. Dá-se leite de égua à criança.
Benzimento de dor-de-cabeça:
Coloca-se o doente assentado numa cadeira, na frente duma porta aberta para o terreiro e, com três raminhos de arruda ou de alecrim molhado numa tijela d'água, benze-se em cruz a sua cabeça, começando pelo cocoruto e terminando no queixo. Recita-se um credo. Assim que o benzedor começar a bocejar, sinal evidente de que a dor saiu do doente e passou para o seu próprio corpo, realiza-se a parte final da cruz. Com um machado, o benzedor traça cruzes nos batentes das portas da casa, murmurando: "Corto, tiro e mando embora", por três vezes, ao que o doente responde: "a dor-de-cabeça".
Benzimento de quebranto:
Durante três dias a fio o curandeiro reza três vezes o credo, fazendo o sinal da cruz sobre a criança. Quando começa a bocejar diz estas palavras: "Deus te fez, Deus te criou, Deus te tire o mal que no corpo entrou".
Todos são mais ou menos secretos e o benzedor esforça-se por não os revelar. No entanto, podem ser transmitidos em ocasiões excepcionais e permitidos pela crença tradicional. São quatro as ocasiões em que o benzimento pode ser ensinado, sem que isso redunde em perdas de "forças" para quem os ensina: 1) Quando o benzedor percebe que vai morrer; 2) Na véspera de Natal; 3) Na noite de Sexta-Feira Maior; 4) No dia de Todos os Santos.

Contra as doenças "incuráveis" a que chamam doenças do "mal", cujos os nomes são "secos", isto é, malditos (morféia, tuberculose e câncer) e impronunciáveis, não nos foi possível conhecer nenhum benzimento.


Uso de facas nos benzimentos

Texto ditado no ano de 1991 por PAI BENEDITO DOS CRUZEIROS

"Quando mencionamos o uso de objetos dentro do benzimento, notamos que na realidade se vincula aos mesmos no plano etéreo suas atuações identicas no plano fisico.
Quando utilizamos facas para se benzer, nem sempre esta prática é bem aceita pois a associação que se faz com este elemente esta sempre ligada ao negativo. Olhando por um prisma espiritual verificaremos que a faca tem uma única função " CORTAR" e não se dever ser associado a ela a AÇÃO que o ser vivente toma com a mesma, sendo esta segunda de total responsabilidade de quem o faz.
Ao benzermos uma pessoa com o uso de uma faca, pouco importa sua forma ou alegoria que nela seja colocada, nem tão pouco se tenha corte ou não, pois em momento alguma á o contato dela e de seu fio de corte com a pessoa que esta sendo benzida, fcando a atuação somente no campo ritualistico.
Os movimentos neste benzimento devem ser lentos para não assustar o assistido e vale lembrar que a fé é elemento propulsor de energia e sem a mesma nada se realiza.

Abaixo, citaremos um benzimento simples com o uso da faca

ELEMENTOS
Uma faca

Procedimento
Cruzado a pessoa fazer a seguinte oração

"Em nome de Deus, de Jesus e nossa Senhora do Socorro eu cruzo ( nome da pessoa) na frente e no atrás, na esquerda e na direita, no em cima e no embaixo e todo o mal que com ( nome da pessoa ) esteja na força de Deus, de Jesus e Nossa Senhora do Socorro será cortado, assim como cortado será todo caminho fechado, toda doença incurável, toda perseguição espiritual, inveja e maldição
Na paz de Deus ( nome da pessoa) esta liberto, curado e renovado, Amém"
Rezar 01 Pai Nosso
01 Ave Maria


O USO DE DEFUMADORES NOS BENZIMENTOS

Existe uma prática dentro dos benzimentos pouco utilizada que é a benzeção feita com defumadores.
De bastão ou em tabletes o benzimento feito com estes elementos atua de duas formas no assistido

1. Trabalha-se a energia eólica, pois o fogo que crepita e alimenta a resina só pode ser utilizado perante o fluxo de oxigênio que existe no local.
2. Após queimar, a fumaça atua como elemento purificador na aura, nos chacras e em todo o corpo físico e energético do assistido
3. A chama, atua como elemento igneo atuando no afastamento e queima de míasmas, larvas astrais e formas ovóides, enquanto no ar ele atua como somente purificador e energias enfermiças ou parasitárias
4. A cada cruz feita com o defumador, uma cruz ígnea, eólica atua no campo a ser trabalhado do assistido

Abaixo passaremos um benzimento simples feito com defumador
MATERIAL UTILIZADO
- 01 Defumador de sua preferência de boa qualidade
- 01 banco ( sugerimos que o banco onde benzemos seja utilizado somente para este fim e que o mesmo possa ser benzido também)

PROCEDIMENTO
Ascender o defumador
Cruzando a pessoa fazer a seguinte oração:

No ar e no fogo eu purifico ( nome da pessoa )
No ar e no fogo todo mal que manifestar no mental, no corpo e no espírito de ( nome da pessoa) o vento vai levar
No ar e no fogo, todo mal que insistiu em ficar, o fogo sagrado de Deus vai queimar
No ar e no fogo
Na força e na luz
( nome da pessoa) esta purificado
Pelas mãos de Jesus

Em seguida coloca-se o defumador entre as pernas da pessoa sentada e reza-se com a mão projetando no chacra cardíaco do assistido

03 Pai Nosso
07 Ave Maria

Benzimentos para varias coisas
Ventre caído:
Oração: (nome da criança)
Se tem o ventre caído
Com a graça de Deus
Te seja erguido.
Se tens o baço virado
Que vá ao seu lugar
Como dantes era
Deita-se a criança de barriga para baixo, no regaço da pessoa que está a erguer o ventre. Unem-se as pernas, da criança, e se não ficarem do mesmo comprimento, medido pela covinha da perna, é sinal de que tem o ventre caído.
A reza começa com o nome da pessoa doente, a criança. Enquanto se faz a reza, com o dedo molhado no azeite, que está propositadamente entornado no cu de uma malga, fazem-se tantas cruzes como o tempo que leva a dizer a reza nas duas covinhas das pernas e nas costas. Cada vez que se reza e se fazem as cruzes, a criança é posta na vertical, de cabeça para baixo, e dão-se-lhe umas palmadinhas nos pés que é para acertar as pernas.
A oração repete-se três vezes com o doente nesta posição, rezando 1Pai-Nosso, e 1 Avé_Maria no fim de cada vez.
Voltado, o doente, de barriga para cima, é-lhe feita a mesma coisa mas no umbigo, e o mesmo número de vezes. Por fim, o resto do azeite que está no cu da malga é entornado na barriga e com a mão aberta fazem-se massagens de baixo para cima, só na zona do umbigo e sempre na mesma direcção. Espalhado todo o azeite, é colocada uma moeda no umbigo do doente e apertado com uma fralda de tecido branco. No dia seguinte repete-se a operação, e isto durante três dias seguidos.

Cortar a peçonha:
Pessonha: quando aparecem borbulhas co “aguadilha” e com tendência a alastrar pelo corpo, com comichão.
A peçonha é provocada pela passagem de algum bicho pessonhento pela pele.
Tem que se ter brasas e uma faca.
Passa-se a faca por cima das brasas e, depois, em volta e em cruzes por cima do mal. Não se pode lavar a parte do corpo afectada.
Diz-se assim:
Eu te corto bicho, bichão
Aranha, aranhão
Sapo, sapão
Cobra, cobrão
Bicho de qualquer nação
Que andar de rastos pelo chão
Eu lhe corto cabeça e rabo
Em louvor das pessoas da Santíssima Trindade
Que é Pai, Filho e Espírito Santo
Em louvor de S. Silvestre
Que ele é verdadeiro mestre
Tudo quanto te faço te preste.
Pai-Nosso, Avé-Maria, Glória, reza-se 9 vezes, Salvé-Raínha.


Rezar à augação:
Para tirar a augação é preciso que as pessoas mais idosas, e que saibam, façam uma broa com azeite e farinha de pão
Depois de cozida, as pessoas dão a broa às crianças ou comem mesmo elas. Mas tem de comer-se 9 fatias. Caso não se consiga comer tanta broa é necessário deitar o restante da broa ao rio para que a corrente a arraste consigo e deste modo tire a augação.
Rezar ao quebranto:
Antes de se começar a rezar, deve benzer-se e dizer o nome da pessoa, com calma.
Deus me fez e Deus me criou
E Deus me desolhe para quem a mim mal olhou
Quebranto me deu e quebranto me daria
Que a Virgem Santa Maria meta tudo na sua santa surgia.
Reza-se de seguida o Pai-Nosso e a Avé-Maria.


REZA AO OLHADO

ASSIM TE BENZA DEUS
ASSIM TRÊS VEZES
DEUS TE GEROU
DEUS TE CRIOU
E DEUS TE ABENÇOOU.

OS BONS OLHOS TE VEJAM
E OS MAUS, ESTOIRADOS TE SEJAM.

DOIS TE DERAM, TRÊS TE HÃO-DE TIRAR
QUE SÃO AS TRÊS PESSOAS DA SANTISSIMA TRINDADE
É PAI, FILHO E ESPIRITO SANTO.

ASSIM COMO AS PORTAS DO CÉU
ESTAVAM VIRADAS PARA O MAR
ASSIM COMO ISTO É VERDADE, TODO O MAL TE HÁ-DE LEVAR.

EU PONHO A MINHA MÃO E O SENHOR PÕE A SUA PALMA.
ESTE MAL SE DESFAÇA COMO O SAL NA ÁGUA.

- PAI NOSSO E AVÉ-MARIA
- A REZA, REPETE-SE TRÊS VEZES SEGUIDAS
Talhar ao mau olhado:
Mau olhado – provoca com o olhar, voluntário ou involuntário, desgraça ou doença, em coisa, animal ou pessoa.
Ingredientes - moeda antiga que tenha no verso uma cruz gravada e um colete de rapaz.
Vão-se passando, a moeda e o colete, sobre o corpo da pessoa ou do animal dizendo:
Dois olhos te deu
Três te tiraram
S. Pedro, S. Paulo
E o milagroso S. João
Assim como do mar salgado
Sai o sal salgado
Saia (desta pessoa ou animal)
Todo o mal que lhe deram
Ar, cobranto ou olhado
Se te deu pela frente
Que te corte S. Vicente
Se te deu por trás
Que te corte S. Brás
Se te deu à hora do meio dia
Que te corte a Virgem Maria
Diz-se 5 vezes todos os dias, até a pessoa ou animal ficarem curados.

Rezar ao Zagre:
Para rezar ao zagre é preciso erva-doce ou funcho do monte, uma tigela com água e sal.
Pega-se em três ramos de funcho e molha-se na água. Passando depois em cruz e em volta, diz-se:
Estando Deus e mais Mateus
Numa fonte plenária
Disse Deus para Mateus:
- Cura-me este zagre Mateus
Curai-o vós Senhor
Que tendes todo o poder
Eu vos entrego o meu poder
Com água da fonte,
Funcho do monte,
Sal marinho,
E água da fonte.
3 avé-Marias e 1 Salvé_raínha

Contra a Cabrita e Névoa:
Cabrita – quando os olhos estão ou ficam vermelhos.
Ingredientes – pau de sabugueiro verde e uma faca.
Começa-se a raspar o pau e atirar-lhe a casca, enquanto se reza:
Névoa – quando junto da menina do olho, aparece uma espécie de pinta.
A pessoa que vai rezar trinca:
1 folha de louro
1 avelã
1 dente de alho
Abre o olho da pessoa e sopra-lhe. O olho começa a chorar e sara. Tanto para a cabrita como para a névoa a reza é a mesma.
Oração :
(Nome da pessoa)... que tens tu nesse olho (direito ou esquerdo)?
É cabrita?
Ou cabrito?
Ou névoa ou nevoeiro?
Eu te corto, neste pau de sabugueiro.
Pai-nosso; Avé-Maria; Salvé-Raínha ( 9 vezes).

3 comentários:

  1. adorei deve postar mas rezas obrigado que deus os abençoe

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  3. Nossa, quanta coisa legal achei aqui!
    Cultura da nossa terra que precisa continuar passando
    de geração em geração, além da força das orações tão bonitas
    que os nossos irmãos maiores nos mandam.
    Obrigada !

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