Aira, Oramfé ou Xangô ?
Quando falamos de Religião Africana, principalmente das que vieram a influenciar nas Américas, estamos na realidade falando em um espaço geográfico limitado a 04 países, Nigéria, Benin (antigo Dahomé), Gana e Togo, num raio de, no máximo, 150 quilômetros.
Nesse pequeno espaço estão concentradas as 16 regiões, onde destacamos as Regiões Fon, Mahi, Nagô, Egbado, Egba, Yorubá, Ijexá e Fula. Dentro delas, encontramos espalhadas as conhecidas cidades de Oyó, Ifé, Abomey, Ketou, Ibadan, Osogbo, Ilesá, Dassa Zoume e tantas outras que geram a enorme discussão e duvidas sobre a linguistica, origens e domínios dos deuses africanos que são cultuados aqui no Brasil. Estas são as tão conhecidas e citadas “nações”, que, aqui no Brasil, uma quer ser mais africana que a outra, dizendo que seus rituais são os mais puros ou melhores, enfim a ladainha que muitos conhecem.
Estas brigas são antigas, porém na África as brigas davam-se por conquistas políticas e sociais. Durante as criações e conquistas de cidades aparecem as mitologias divinas misturando-se com o histórico. Estas misturas muitas vezes se parecem tão homogêneas que até mesmo em pesquisa a documentos históricos na Biblioteca do Congresso Americano o mitológico passa a ter um caracter real e não lendário. Cada região africana possuía a sua identidade religiosa, o que existiam eram características de uma divindade, mas não um nome comum a todas as regiões. A característica de deus do trovão é dada para a divindade Aira na cidade de Savê na Região Mahi, região situada no Benin, antigo Dahomé, para Oramfé na cidade de Ifé na Região Ijexá e para Xangô na cidade de Oyó na Região Yorubá, regiões situadas na Nigéria.
O yorubá citado aqui não é o yorubá lingüístico, falo do yorubá geográfico. Aproveito também para salientar que é errado dizer que todo africano ou Orixá surgiu de regiões que falavam o yorubá, é certo dizer que o yorubá é o dialeto que está presente na maioria das regiões, porém na delimitação que coloco nas primeiras linhas deste texto existem mais de 200 dialetos diferentes e que também vieram para o Brasil e como conseqüência influenciaram muitas das ditas “nações puras”. Existem muitas “nações” no Sudeste e Nordeste do Brasil que dizem falar yorubá, mas na realidade tem influência lingüística do dialeto nagô.
Sabedores que a mitologia dos Orixás são histórias e lendas com caracter político, econômico e social. Tenho uma interpretação particular de uma lenda muito conhecida entre todos os africanistas, onde Obá se auto-mutila pelo amor de Xangô:
Entre as regiões nigerianas Ijexá e Yorubá, encontram-se dois rios. Na Região Ijexá entre tantas cidades importantes ficava a cidade de Ifé fundada por Odudua, onde Oxum era reverenciada como Deusa, do outro lado dos rios, em direção ao Dahomé estava a Região Yorubá, onde ficava cidade de Oyó que era reinada por Xangô. Creio que estes povos brigavam pela domínio dos rios. Podem ter ocorrido diversas batalhas até chegar ao domínio final que, no meu entender, ficou com a Região de Yorubá. Por que? Quando Xangô na mitologia casa-se com Oxum, representa um domínio das forças Yorubás sobre as forças Ijexás, tendo assim o final de uma batalha, mais além, a mitologia mostra que Oxum domina Obá, que é a terceira mulher de Xangô, enganando-a sobre a maneira de fazer com que Xangô a amesse como amava as suas outras mulheres, fazendo com que Obá se auto-mutile, mostrando ai uma superioridade dos Ijexás nesta batalha contra os Yorubás.
Voltando para a mitologia: No momento em que Xangô descobre tal atitude das duas deusas se revolta de tal maneira que as deusas correm em direção ao mato e transformam-se em rios com os nomes de Obá e Oxum. Porém, em nenhum momento a mitologia nos diz que Xangô se separou de uma ou de outra. O que a mitologia nos diz é que elas ainda são as mulheres de Xangô, que ainda estão sob o seu domínio, pertencentes a Oyó, na Região Yorubá.
domingo, 22 de novembro de 2009
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